sábado, 7 de novembro de 2009

Lista do desafio literário 2010


Agora vai a lista definitiva para o Desafio Literário:

Janeiro
(Um livro da Nova Cultural ou da Harlequin)

Escolhido: Ok, fui na Feira do Livro hoje e comprei Ratos e Homens, de John Steinbeck, Nobel de Literatura de 1962, edição pocket by L&PM Editores. Foto aqui.


Fevereiro
(Um livro que nos remeta aos contos de fada)

Escolhido: Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Na reserva: As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis


Março
(Um clássico da Literatura universal)

Escolhido: Alice in Wonderland, Lewis Carroll
Na reserva: Crime e Castigo, Fiodor Dostoievski


Abril
(Um livro de escritor(a)Latino-Americano)

Escolhido: Histórias fantásticas, Adolfo Bioy Casares
Na reserva: Papeles inesperados, Julio Cortazar


Maio
(Para aliviar, vai aí um Chick-lit)

Escolhido: Confessions of a Shopaholic, Sophie Kinsella
Na reserva: Size 12 is not fat, Meg Cabot


Junho
(Um livro de uma escritora brasileira)

Escolhido: Pó de Parede, Carol Bensimon (resolvi prestigiar uma gaúcha)
Na reserva: Máquina de Pinball, Clarah Averbuck (idem) (uma dica: dá pra ler ele na internet aqui)


Julho
(Um livro adaptado para o cinema)

Escolhido: About a boy, Nick Hornby
Na reserva: O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams


Agosto
(Um romance policial)

Escolhido: Predador, Patricia Cornwell
Na reserva: Dexter, a mão esquerda de Deus, de Jeff Lindsay


Setembro
(Um romance histórico)

Escolhido: Papisa Joana, Donna Cross
Na reserva: As vinhas da Ira, John Steinbeck


Outubro
(Um livro que contenha uma lição de vida)

Escolhido: Julie & Julia, Julie Powell
Na reserva: O Maior Vendedor do Mundo, de Og Mandino


Novembro
(Um livro de escritor(a) de Portugal)

Escolhido: Caim, José Saramago
Na reserva: Cal, José Luís Peixoto


Dezembro
(Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra “Coração” no título)

Escolhido: No coração das trevas, Joseph Conrad
Na reserva: Coração de Tinta, de Cornelia Funke

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Desafio Literário 2010 - 2a parte

Prévia da lista de livros:

Janeiro - Confessions of a Shopaholic, Sophie Kinsella
Fevereiro- Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Março- Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
Abril- Histórias fantásticas, Adolfo Bioy Casares
Maio- um chick-lit, alguma sugestão?
Junho- escritora brasileira, alguma sugestão? Não vale Martha Medeiros (já li muito e não gosto), acho que vou acabar indo de Perto do Coração Selvagem, da Clarice Lispector.
Julho- Reparação, do Ian Mcewan --> Agora fiquei em dúvida... passei pela CCMQ hoje e descobri que os Contos de Canterbury, um clássico da literatura inglesa, também virou filme. Tenho esse livro há tempos, comecei a ler e parei porque tenho ele no texto original, isto é, em inglês arcaico, é meio complicadinho de ler... mas de repente era uma boa hora pra tentar de novo. Que acham?
Agosto- ia ser o Snuff, do Palahniuck, mas eu já tô na metade, e ele é muito bom, então fica em aberto. Sugestões?
Setembro- romance histórico, sugestões?
Outubro- um livro que contenha uma lição de vida... affe... não sei!
Novembro- decidi pelo Caim, do Saramago
Dezembro- decidi pelo No coração das trevas, do Joseph Conrad.

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Leituras 2009



Aproveitando o ensejo do desafio literário 2010, comecei a fazer uma retrospectiva das minhas leituras deste ano. Está meio incompleto porque eu realmente não lembro do que eu li bem no começo do ano, mas comprei, em abril, este lindo caderninho pra anotar trechos de livros lidos, livros emprestados, lista de desejos e etc. Ele me deu algumas pistas.
Então lá vai:

- Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert.
- O Aleph, José Luís Borges.
- Leite Derramado, Chico Buarque.
- Budapeste, Chico Buarque.
- Cleo e Daniel, Roberto Freire.
- A Long Way Down, Nick Hornby.
- os 3 livros da coleção Millenium, de Stieg Larsson:

* Os homens que não amavam as mulheres
* A menina que brincava com fogo
* A rainha do castelo de ar

- Esboço para uma teoria das emoções, Jean Paul Sartre.
- O Código da Inteligência, Augusto Cury.
- O avesso da vida, Philip Roth.
- O livro dos Manuais, Paulo Coelho.

Estou lendo: Size 12 is not fat, de Meg Cabbot.

Começados e não terminados:
- Contos Completos de Virginia Woolf.
- O sequestrado de veneza, Jean Paul Sartre.
- O livro dos abraços, Eduardo Galeano.
- As I lay dying, William Faulkner.
- Snuff, Chuck Palahniuck.
- Papeles inesperados, Julio Cortazar.
- Histórias fantásticas, Adolfo Bioy Casares.
- Frenesi Polissilábico, Nick Hornby.
- A Arte da Vida, Zygmunt Bauman.
- O diário de Zlata, Zlata Filipovic.

Bom, os Contos Completos, O livro dos abraços, Papeles inesperados e Histórias Fantásticas são livros de contos, e por isso eu estou lendo aos pouquinhos, um conto aqui, outro ali, no meio das outras leituras. Acho que tá bom. O Bioy Casares ficou pro desafio literário 2010, mês de abril.

Na espera:
- 5 minds for the future, Howard Gardner.
- The sound and the fury, William Faulkner.
- Light in august, William Faulkner.
- A arte de ter razão, Arthur Schopenhauer.
- A arte de conhecer a si mesmo, Arthur Schopenhauer.

(Esse ano o que eu mais fiz foi comprar livros... sem contar os jurídicos, que não vou listar aqui)

Vi agora que eu tenho o Reparação, do Ian Mcewan, que foi adaptado para o cinema. Comecei a ler e achei muito lento... mas tá, tenho já um livro para o desafio literário 2010, mês de julho! o/

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desafio Literário 2010


O Desafio Literário 2010 (By RG) visa:

1) Incentivar a leitura. Isso mesmo! Porque o desafio é ler 12 livros em 12 meses, ou seja, um livro para cada mês do ano. Ao final do ano, a leitura de 12 livros já está garantida. Sei que muitas de vocês podem quadruplicar essa lista em dias. Mas, enfim, o desafio que proponho é mais comedido nesse sentido.

2) Promover o conhecimento de novos autores e livros pouco conhecidos bem como congraçar os leitores convertidos em blogueiros e leitores sem blog também. Um ano de confubação de leituras em clima de unidade, não é uma boa?

3) Fazer com que nos lembremos dos livros soterrados nas pilhas que temos em casa e que cresce progressivamente a cada ano.

O desafio Literário consiste em cumprir a agenda abaixo:


Agenda do Desafio 2010 By RG


Janeiro – Para facilitar a vida de todas, leituras rápidas para o primeiro mês do ano. O desafio é ler um Romance de Banca ao estilo da Nova Cultural, Harlequin, entre outras. Vale qualquer segmento, Clássico Históricos, Momentos Íntimos, Júlia, Sabrina, etc…Tenho certeza que você tem um livro na pilha esperando para ser lido. Portanto não há desculpas. -->Um da Shopaholic que eu tenho aqui e ainda não li.

Fevereiro – Um livro que nos remeta aos contos de fada. È baba! Nem tudo é inovação. Há muitas histórias baseadas nos contos de fadas. Patinho Feio, A bela e a fera, Cinderela… -->Onde vivem os monstros, comprei hoje na Feira do Livro, mas vou deixar guardado.

Março – Um clássico da Literatura universal. Só vale aquele que você nunca leu na vida. Sabe aquela coleção em destaque na estante que está lá só para fazer bonito? É lá que você vai pescar esse. -->Alice no País das Maravilhas. Comprei a edição original, em inglês, com lindíssimas ilustrações, mas só li um pedaço.

Abril – Um livro de escritor(a)Latino-Americano. Leitura inédita só para lembrar! -->Um de contos do Bioy Casares que eu li só um conto.

Maio – Para aliviar, vai aí um Chick-lit. O mar está para peixe no que diz respeito ao gênero. -->Sugestões, alguém? Talvez o Melancia...

Junho – Um livro de uma escritora brasileira. --> Qualquer uma que não seja Martha Medeiros, podem me dar de presente de aniversário!

Julho – Um livro adaptado para o cinema. O que mais há ultimamente! -->Vale Onde vivem os Monstros?? hehehehe Alguém tem alguma sugestão?

Agosto – Um romance policial. Vale os autores mais clássicos ou autores do romance “romântico” policial. --> Posso guardar o Snuff pra agosto do ano que vem, então.

Setembro – Um romance histórico. Cá entre nós, esse gênero é o queridinho de muitas! --> Esse me pegou! Sugestões?

Outubro – Um livro que contenha uma lição de vida. Pode ser ficção ou não-ficção. Viu como facilitei? --> Idem. Sugestões?

Novembro – Um livro de escritor(a) de Portugal. Com a aproximação ortográfica porque não uma aproximação literária? -->Lobo Antunes ou José Luís Peixoto... o que eu encontrar primeiro.

Dezembro – Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra “Coração” no título. -->Perto do Coração Selvagem, da Clarice Lispector, ou No coração das Trevas, do Joseph Conrad?


É tudo uma brincadeira divertida. E como toda boa brincadeira há que ter regras (as regras ainda estão em fase de elaboração, posso acrescentar mais coisa…mas, o básico é isso aí). Vamos a elas:

· Para participar você precisa, do dia 19 de outubro até o dia 15 dezembro, elaborar sua lista dos livros para cada mês. Essa lista deverá ser postada em seu blog para que todos os participantes possam ver. Quem não tem blog: ou envia a lista para mim via email ou poste na comunidade do Desafio Literário cujo convite enviarei só para quem confirmar a participação aqui no post.

· Você pode criar uma lista alternativa de no MÁXIMO 12 livros que poderão substituir os livros de sua lista original. Essa lista também deverá ser postada em seu blog.

· Após o dia 1º de janeiro, você NÃO pode mudar sua lista!!!!

· Audiobooks e Ebooks são permitidos.

· Releituras estão fora do objetivo do desafio. Portanto, não serão permitidas. Claro que contarei com a sinceridade dos participantes.

· A coincidência de lista ou livros entre os participantes é permitida.

· Os participantes que têm blog deverão postar o Button e o link do Desafio Literário By RG em seu blog. Assim, identificamos quem está dentro e divulgamos o desafio. (O Button é a imagem desse post!)

· Na última semana de cada mês, os participantes deverão postar em seu blog uma opinião pessoal do livro escolhido do mês.

· Mesmo depois de iniciado, o desafio permanecerá aberto para quem quiser participar. No entanto, a participação se dará no mês subseqüente ao desafio corrente.

· Opcional: Se quiser, você pode ingressar na comunidade criada para os participantes do Desafio Literário by RG. Lá você terá onde guardar e compartilhar sua lista e opinar sobre os livros lidos com as demais participantes. Também relataremos o processo e o progresso de nossas caçadas e nos conheceremos melhor. Para quem não tem blog pessoal é interessante ingressar nessa comunidade. Confirmando aqui, eu envio o convite, ok?

Antes de confirmar sua participação no desafio, pondere bem. Não o faça porque eu convidei ou por empolgação. Pois, contarei com o engajamento, responsabilidade e compromisso de quem disser sim.


PS: Não é necessário seguir e nem assinar o newsletter do RG para participar do Desafio Literário.

Quer participar? Então, confirme sua participação no comentário desse post. Informe seu nome e blog, se tiver.

PS2: Quem não tem blog, pode e deve participar. Para isso, envie sua lista definitiva para o email rgbyvivi[arroba]romancegracinha.com ou ingresse na comunidade Desafio Literário. (Atenção para todos os que confirmarem a participação aqui nos comentários desse post, eu enviarei o convite da comunidade. Aliás, é na comunidade que você poderá compartilha sua lista com os participantes do desafio).

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Carta a Daniel 14


Querido Daniel,
com o tempo, eles deixam de ser pessoas. Passam a ser memórias. E na memória podem ser quem nunca foram, nem serão. Os rostos ficam distantes, e começamos a trocar a cor dos seus olhos. Uma anedota deixa de ser tão engraçada e não lembramos mais quem foi que a contou.
Porque o tempo faz os amores arrefecerem, cederem, dobrarem-se. Perdem quase todo seu significado. E as pessoas que deixamos de amar perdem suas cores. Perde-se o cheiro de sua pele, o calor de seu abraço.
E aquela idéia de conhecer alguém quase tão bem quanto a si mesmo cai no vazio, no escuro, deixa de ser plausível, passa a ser mero devaneio juvenil.
Eu acho que a modernidade fez isso conosco: nos desvinculou. Trocamos de amores como quem troca de roupa, ainda que isso nos magoe e nos deixe sem rumo. Não podemos mais esperar passar a vida ao lado de quem amamos, porque esse amor se desfaz como açúcar na água. Ainda se pudêssemos aquecer tal mistura, obter uma calda que virasse depois um caramelo, doce e duro, tanto mais perene, um pouco mais difícil de dissolver. Mas não há como fazer isso, ou ainda não aprendemos a fazê-lo. Então a água leva o açúcar embora e no máximo aparece uma outra ou outra formiga a tentar lamber o açúcar que não mais está ali.
Meu coração partiu e desde que ele partiu, eu não sei mais respirar direito.
Conta-me do teu coração.
Um beijo com sabor de regoliz,
C.


(OBS. A carta número 13 foi extraviada pelos correios)

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um vampiro nunca entra sem ser convidado


O mesmo disco. A mesma música. O mesmo risco no disco.
O mesmo disco. A mesma música. O mesmo risco no disco.
E, no entanto, você coloca o disco para tocar, sabendo que a agulha vai parar no risco e aquele mesmo verso da canção vai repetir. Repetir. Repetir.
Mudam os atores. Não muda o espetáculo.
Muda o cenário. Não mudam as falas.
Quem você é não importa, desde que cumpra o seu papel. Não ouse sair dele. Na verdade, você não pode ousar sair dele porque não sabe que o faz.
As minhas unhas crescem, meu cabelo cresce, hoje sou mais velha do que ontem, mas mais jovem que amanhã. Vesti-me de princesa e fiquei bem, mas não pude partilhar isso com você.
Lembrei-me daquele homem a amparar uma mulher. A mulher dele. Pensei nisso: amparo.
Alguma vez você se sentiu amparado? Soube onde procurar refúgio?
Não é mesmo infinitamente triste procurar abrigo e ter de dormir ao relento?
Eu dormiria na beira da praia, olhando para o mar até meus olhos fecharem sozinhos, mas eu não precisei. Um estranho me estendeu a mão enquanto os seus pensamentos não estavam em mim.
Eu estava triste por você estar aqui e não estar. Agora talvez você queira estar aqui e para mim já não importe. Tudo o que eu disse antes não deixou de ser importante, mas eu sinto que a mensagem ainda não foi completamente e corretamente interpretada/absorvida/analisada/ processada.
Não ouse fugir ao seu papel porque isso faria com que eu tivesse de replanejar o meu. Buscar as pedras para reconstruir o meu castelo, que vem ruindo desde o momento em que percebi ser marionete de mim mesma. Ainda não cortei todas as cordas que me prendem àquilo que eu achava que era. Você se enredou nas cordas soltas e não sabe como fazer para cortar as suas próprias cordas. Use a cabeça: compre uma tesoura.

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Todo fim é um começo


Até que o derradeiro fim chega.
Eu queria não focar a minha raiva em você, e de repente me pergunto o porquê disso. Se foi algo que você fez, porque eu não posso sentir raiva de você? Tenho mesmo de ser sempre coerente, justa, bondosa? Ou posso gritar e surtar e atirar os sabonetes em você? Jogar você e os seus sabonetes comprados de última hora e sem o menor carinho porta afora?
É difícil entender uma pessoa tão dupla quanto eu. Que quer e não quer, que ama e odeia, que chora e ri. Quase tudo ao mesmo tempo.
No mais das vezes, eu quero que você adivinhe. Ainda não acho tão difícil. Sensibilidade é a palavra, e é uma coisa bem difícil de atingir. Requer paciência e dedicação. Como diria o Pequeno Príncipe: foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez dela tão especial.
Você precisa se entregar tanto quanto quer a entrega do outro. Não é amor incondicional, é apenas reciprocidade.
Fato é que certas coisas me enfastiam. Você é duro consigo mesmo e acaba sendo também comigo. É um erro. Aliás, dois erros. Uma perda total do meu tempo, do seu tempo, do nosso tempo. Eu faço outros planos. Eu alço voo. Não sei quando voltar. Não sei se quero voltar.
Mas não me telefone. Não pense em mim. Não me procure. Não faça promessas, especialmente quando não se quer de verdade prometer. Não diga que quer fazer o amor suplantar o ódio nos meus sentimentos conflitantes. Não havia sentimentos conflitantes. Eu quis mesmo gostar de você. Mais: eu quis mesmo amar você. Você não deixou. Então não queira mais. Há muito de verdade e muito de mentira no que eu escrevo. Há muito mais verdade no que eu deixo de escrever e no que eu deixo de dizer. Havia uma dor muda no meu coração, mas mesmo os mudos podem ser ouvidos se tivermos um pouco de atenção. Foi preciso dizer "vá embora", para que você quisesse ficar. E aí tudo perdeu um pouco do sentido pra mim.
Talvez você não goste do que eu escrevo, da maneira como escrevo. Mas não há espaço para bobagens aqui. Eu radiografei a minha alma e te dei num envelope de presente. Começou a chover e o dia virou noite. Porque talvez esse envelope nunca tenha sido entregue, mas você sabia que ele existia e fingiu não perceber.
Você pode me criticar mas eu concluí que você, na verdade, não sabe quem eu sou. Apenas pensa que sabe. Não é mesmo triste isso?

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu sabia


Você saiu daqui sem dizer nada. Voltou, e também não disse nada, mas afinal você tinha a chave e podia entrar e sair a hora que bem quisesse. Um dia a minha dor vai te marcar, mas por enquanto você acha que eu não sinto nada simplesmente porque não consegue entender. Você veio aqui e não disse nada achando que não dizer nada era dizer tudo na medida em que eu realmente não ficaria sabendo da sua vinda.
Mas eu sei.
Eu sinto a sua ausência quando faz pouco tempo que você saiu. E às vezes também quando faz muito tempo. Tudo são coisas que você não percebe porque perceber exige sensibilidade. Você tem sonhos sem cor. Você tem sonhos desconexos. Você acha que todos os meus sonhos são mentira porque são coloridos demais e têm começo, meio, e fim, ainda que não necessariamente nesta ordem.
Você não entende que para ser amado é preciso amar. Você não entende que para que outro te toque é preciso tocar primeiro. É preciso abraçar primeiro e falar, e sorrir, e oferecer calor. É preciso querer a presença do outro para que o outro queira a sua presença.
Aí eu ouço palavras que me destroem: ternura, preocupação. E onde estão essas coisas, afinal?
Aí coisas muito mais práticas me afligem e tudo são coisas que você poderia entender se quisesse, mas isso demandaria uma intimidade por demais pertubadora para você. E aí eu fico só. E me sinto só. E o que mudaria isso? Estar efetivamente só.
Porque você haveria de concordar comigo, dentro de toda lógica, que estar realmente só é sempre melhor do que não estar só e mesmo assim sentir-se só. Porque eu digo as coisas querendo dizer exatamente o que eu digo e o problema, o grande problema, é quando alguém tenta interpretar o que realmente não precisa de interpretação.
Fórmulas mágicas... se elas efetivamente funcionassem nós não teríamos contradições. Não haveria um dia de sim e outro de não. Porque tudo funcionaria muito bem, como mágica!
Aí hoje eu caminhei, sabe? No escuro, e sozinha. E não precisava ser assim, eu sei que não precisava, mas não depende só de mim, realmente, não depende. E talvez eu queira mesmo demais, mas ainda há algo em mim que acredita, piamente, que você pode acertar nas coisas fáceis também, já que acerta nas difíceis. Deveria ser o contrário, que é o mais comum, mas estranhamente não é. Ainda assim, talvez não seja o bastante. Não é o bastante.
Eu sabia e mesmo assim não pude me evitar o sofrimento. Talvez eu goste mesmo de sofrer. Porque a sutileza faz parte da minha personalidade, e sendo assim posso dizer: é o meu jeito. E mesmo assim eu ainda consigo falar algo. O problema é quando não existem perguntas. Se elas não existem, não há o que responder. Eu poderia ir adiante, mas cansei.

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